segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Reflexão Semanal

Caros irmãos e irmãs, peço desculpa pela minha inactividade recente, mas pretendo compensar-vos introduzindo neste blogue uma reflexão semanal sobre a Palavra do Senhor. Não vou seguir escrupulosamente um calendário de leituras mas em geral vou adoptar o calendário da Igreja Católica (que pode encontrar, por exemplo aqui), mas quero deixar bem claro que este blogue não está associado a nenhuma denominação. Decidi escolher este calendário devido às seguintes razões:

  • As leituras de cada Domingo estão organizadas por temas
  • A maioria dos crentes portugueses descrevem-se como Católicos
  • Seria interessante para os Católicos ouvirem uma perspectiva que não seja necessariamente Católica sobre as leituras
  • Existem outras denominações que seguem o calendário litúrgico Católico
  • A Igreja Católica celebra as festas Cristãs como Pentecostes e costuma escolher leituras relacionadas com as mesmas, que eu considero importantes para compreender a História da Igreja bem como certos aspectos de Fé
  • As Igrejas Evangélicas são mais independentes e não têm um calendário da sua denominação
Espero que as minhas palavras sejam interessantes para todos e que possam aprender e reflectir. 

Em Cristo

sábado, 14 de março de 2015

Reflectir a Homossexualidade - Compreendendo os Cristãos

No último artigo falei sobre o que diz Deus na Bíblia sobre a homossexualidade e como estes ensinamentos procedem da própria essência de Deus. Mas vamos supor que você ainda não está convencido que Deus existe e fala pela Bíblia, que talvez ainda precise de mais umas noites a meditar nos argumentos Filosóficos para a existência de Deus e nas palavras de Jesus, que por agora você ainda se considera um agnóstico ou ateu ou talvez um membro de outra religião. O que quero tentar explicar-lhe agora é que mesmo que você estivesse correcto, nunca poderia chamar os Cristãos de homofóbicos. Porquê? Tente responder a esta pergunta: se você acreditasse em tudo o que escrevi no artigo anterior, e alguém lhe perguntasse se a homossexualidade é permitida, o que você faria?
Considere a seguinte ilustração, que é baseada em Dom Quixote:
Suponha que um homem sofre de uma tremenda ilusão (D. Quixote), devido a uma doença mental sem qualquer culpa sua, e pensa ter a missão de salvar o mundo do crime. Ao passar por uma rua ele depara-se com uma bela donzela acompanhada pelos seus dois guarda-costas. Ora, este homem é tremendamente hábil a dominar a espada e poderia facilmente dominar os dois guardas e talvez matá-los. Devido aos seus delírios, ele pensa que esta donzela é na realidade uma prisioneira destes dois guardas, que a vão torturar até a morte, e que a única maneira de o evitar é resgatá-la. Então depara-mo-nos com um dilema:
  • Dom Quixote decide agir, pois ele pensa que realmente a mulher está em perigo e decide arriscar a vida para a salvar. Em consequência, os dois guardas ficam gravemente feridos e a donzela aterrorizada. 
  • Dom Quixote não age, o que resulta em nenhum mal para as outras pessoas. No entanto ele estava convencido de que salvar a mulher era a verdadeira atitude moral.


Qual destas decisões é moralmente certa? Será que a acção correcta reside na intenção ou no resultado? A mim parece-me que a primeira acção, embora mais danosa, seja a correcta na mente de D. Quixote.
O paralelo é este: vamos supor que a Bíblia é apenas um conto de fadas e que os Cristãos, tal como D. Quixote, estão em delírio ao pensar que a homossexualidade está errada, e que o caminho para a vida eterna é Jesus. Será que algum Cristão em boa consciência pode deixar de afirmar e defender estas verdades? Se eu vejo alguém na direcção que eu considero do fundo do coração como errada e não o aviso, a não ser que tenha uma razão muito forte para o fazer, o meu sentimento por ele é indiferença e não amor. Se você realmente acreditasse na Bíblia como os Cristãos e andasse a pregar que a homossexualidade não é pecado enquanto considera que é, seria um mentiroso e um hipócrita.
É por isso que eu disse no meu primeiro artigo que compreendo o porquê de certas pessoas se oporem aos Cristãos. É importante compreender que apenas estar enganado não elimina completamente a nossa responsabilidade, pois nós podemos ter responsabilidade em estar enganados, mas ao menos permite que se compreendamos uns aos outros.
Em suma, isto é o que se deve reter:
  • Os Cristãos devem compreender as razões pelas quais certas pessoas ficam indignadas com certas mensagens da Bíblia, e também lembrar-se de que muitas vezes a indignação é contra uma distorção do que diz a Bíblia.
  • A Bíblia não é contra os homossexuais, apenas se pronuncia sobre a actividade homossexual.
  • As leis de Deus não são arbitrárias mas estão baseadas na maneira como Deus se relaciona com o mundo e na sua própria essência, que é a Aliança. Esta existe para o Homem na forma do casamento, e não pode ser profanada.
  •  Para além de ser difícil determinar certo e errado sem Deus, a ideia de que a moralidade de uma relação interpessoal é determinada apenas pelo amor entre os participantes é ingénua.
  • Todos nós temos uma certa tendência para o pecado, e Deus pede tudo de todos nós. As “regras sexuais” não se aplicam só a homossexuais mas também a heterossexuais.
  • Parece impossível viver de acordo com a vontade de Deus, e realmente é sem Deus. Mas Deus promete ajudar-nos a viver de acordo com a sua vontade através do Espírito Santo.
  • Finalmente, este caminho pode e vai ter quedas, mas não se devemos deixar desencorajar por eles, porque não há nenhum pecado que Jesus não tenha vencido na Cruz.
  • A Fé é a chave que abre a porta que é Jesus para todas estas graças de Deus que culmina na participação no Reino dos Céus que Deus promete onde irá haver Restauração e Paz Eterna e o pecado será apenas uma memória distante.


Reflectir a Homossexualidade - Compreendendo Deus

Dediquei o último artigo a tentar trazer uma palavra de compreensão para aqueles que não concordam com os ensinamentos da Bíblia em relação à homossexualidade, neste artigo irei tentar mostrar o que ensina a Bíblia, o porquê, e porque a devemos seguir.
É importante em primeiro lugar compreender o que a Bíblia não ensina sobre a homossexualidade: a Bíblia não ensina que ser homossexual é pecado! O que a Bíblia ensina é que o acto homossexual é pecado, ou seja, que quando alguém voluntariamente entra em actividade homossexual esta a pecar, não quando involuntariamente simplesmente sente um desejo físico (ou romântico) por alguém do mesmo sexo. É claro que o leitor liberal vai imediatamente dizer-me que a Bíblia ensina que para um homossexual estar bem com Deus, ele tem, de certa forma, de se negar a si mesmo no que toca aos desejos homossexuais, por muito fortes que sejam, e eu vou supor que são tão fortes como os de um heterossexual como eu, e vou admitir que tal pode parecer impossível . Eu não vou negar que a Bíblia ensina exactamente isso. Para aqueles que ficam chocados com o que acabei de escrever, peço apenas que leiam o resto do artigo para compreendermos juntos o porquê disto.
O Deus da Bíblia não é um Deus solitário, é um Deus que existe desde sempre numa comunidade de três pessoas a que chamamos Santíssima Trindade, e isto é compreendido pelo facto de o Deus da Bíblia ser amor, como nos diz São João (I Jo 1:8). Pai, Filho e Espírito Santo vivem numa Aliança divina antes de todos os séculos, e Deus tem feito alianças com o Homem desde o início da Humanidade, a Bíblia relata explicitamente cinco: primeiro com Noé, onde promete nunca mais destruir a humanidade, cujo símbolo é o arco-íris (Gn 9:8-17), depois com Abraão, onde lhe promete descendentes tão numerosos como as estrelas e também a terra de Canaã e cujo sinal é a circuncisão (Gn 15 5:7 , Gn 17:1-9), com Moisés e os filhos de Israel, de onde vêm os 10 Mandamentos e cujo sinal é o Sábado (Ex 19:3-6), mais tarde com David (2 Sm 7:12-17), cujo sinal é o trono, e onde Deus promete estabelecer o reino do seu descendente, que é quem faz a Nova e Eterna Aliança de Deus com todos os crentes, Jesus, onde a promessa é a remissão dos pecados e a presença de Deus para sempre (anunciada em Jr 31:31-34 e consumada em Lc 22:19-20), e o sinal desta aliança é a Ceia do Senhor (Comunhão). Uma aliança não é uma troca de bens ou apenas de promessas (embora as inclua), mas uma troca de pessoas, Deus diz-nos: eu sou teu e tu és meu. Mas o que tem isto a ver com homossexualidade? É simples, o casamento é uma grande aliança, aliança entre duas pessoas onde se tornam numa só carne (Gn 2:24), como Jesus e o Pai são um só (Jo 10:30), e o que escrevi acima mostra a importância do casamento para Deus: o Deus da Bíblia é o Deus da Aliança, Ele vive por Alianças e Ele é uma Aliança, e o Casamento é a oferta de Deus para vivermos como Ele, em Aliança, e portanto não pode mais ser profanado. E como todas as alianças de Deus têm um sinal, também o casamento tem. Deus não é anti sexo como muita gente pensa, ele criou o sexo para que seja literalmente possível homem e mulher se tornarem uma só carne e darem fruto (filhos), e estes são os sinais da aliança entre eles. Sendo que o casamento é entre um homem e uma mulher, como está escrito nos Génesis, relações homossexuais falham a marca de perfeição de Deus, e isto é precisamente o que significa a palavra pecado. Mas para o leitor heterossexual a ler este artigo, lembre-se que luxúria e sexo fora do casamento também falham a marca precisamente da mesma maneira, e às vezes de maneira pior no caso da luxúria, não sendo portanto pecados menores que a prática da homossexualidade.



Neste momento o leitor estará a perguntar-se: mas se estas pessoas se amam, porque não deixá-las casar e ser felizes? Não é a felicidade humana aquilo com que nos devemos preocupar e deve definir o que chamamos moral? Pergunto ao leitor: imagine que dois irmãos estão apaixonados um pelo outro. Será correcto que casem? Ou pai e filha? Ou porque não um homem de 50 anos e uma menina de 10? Espero que o leitor pelo menos responda não a uma das perguntas anteriores. O leitor está neste momento a esbracejar para os céus e a exclamar: “não se pode comparar!”. Mas porquê? Se o amor é tudo o que define um casamento, se a felicidade humana é tudo o que define a moralidade, porque não permitir nos casos acima um casamento? Seremos arrogantes ao ponto de pensar que estas pessoas não se podem apaixonar da mesma maneira que nós? Consideramos estes casos estranhos e impossíveis tal como um heterossexual considera  estranho e impossível se apaixonar por alguém do mesmo sexo. E porque parar em pessoas? Porque não propor o casamento entre um homem e o seu cão? Espero que o leitor esteja a pensar neste momento que já “me estou a esticar”. Mas a questão prevalece: porque não permitir o casamento nestes casos? Eu respondo: porque eles não fazem parte do que é o casamento. Dois irmãos não podem casar, nem um homem e a sua filha, nem um homem e o seu cão, pela mesma razão que não se pode marcar um golo num jogo de basquetebol, é um erro de categoria. Devemos agora perguntar-nos: mas quem define o que é o casamento? Quem define o que é moral ou não? Se somos nós homens então certamente poderíamos todos juntar-nos e decidir que a partir de hoje todas as situações acima seriam moralmente aceitáveis e elas passariam realmente a ser! E até poderíamos não parar aqui e decidir que a escravatura é na realidade aceitável. Se a moralidade é subjectiva ninguém nos pode impedir de a definir democraticamente em qualquer ponto da história. Mas no fundo dos nossos corações sabemos que a moralidade não é subjectiva, que ela transcende as opiniões do homem. Sabemos que o casamento é algo que também tem uma certa objectividade, que as situações acima não se qualificam para o que é o casamento, mesmo que toda a gente decida o contrário. Mas se tal é verdade, então como saber realmente o que é o casamento? Como saber o que está certo  e errado? É óbvio que a nossa intuição moral ajuda, mas ela às vezes também falha, e normalmente por culpa de a termos deturpado. Para saber com certeza o que está certo e o que é realmente o casamento, devemos consultar Aquele que o criou, e Aquele que dita as leis, e Ele diz-nos através da sua palavra que o casamento é entre um homem e uma mulher e que actividade homossexual não é o seu ideal, sendo portanto considerado o que a Bíblia chama de pecado.
Mas e não disse eu no último artigo que ninguém escolheu ser homossexual? E digo novamente, e é por isso que ser homossexual não é pecado. O que cada um escolhe é a prática dessa mesma actividade. E dizemos nós agora para os Céus: “Mas e não é pedir demais, Cristo? Que me negue a mim mesmo por ti?”, e Cristo responde: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a vida por minha causa, a encontrará. Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma?” (Mt 16:24-26).  Jesus pede a nossa vida, mas é importante nos lembrar-mos que ele primeiro nos deu a dele, tal como diz São Paulo: “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores.” (Rm 5:8). E pode parecer difícil, e até impossível, seguir tal mandamento, mas a questão é que Deus não exige que o façamos sozinhos, Ele mesmo nos irá ajudar através do Espírito Santo, como diz na promessa a Moisés:  “O Senhor, teu Deus, circuncidar-te-á o coração e o de tua descendência, para que ames o Senhor de todo o teu coração e de toda a tua alma, a fim de que possas viver. O Senhor, teu Deus, fará cair todas essas maldições sobre os teus inimigos e sobre aqueles que te perseguem com ódio. Tu, porém, voltarás a ouvir a voz do Senhor, e porás em prática todas as ordens que hoje te prescrevo.” (Dt 30:6-8), e é por isso que Jesus diz “A estas palavras seus discípulos, pasmados, perguntaram: Quem poderá então salvar-se? Jesus olhou para eles e disse: Aos homens isto é impossível, mas a Deus tudo é possível.”  (Mt 19:25-26).
A pergunta que se segue é: mas e não é Deus injusto ao enviar ao homossexual tal tentação e não aos heterossexuais? Porque devem estes abdicar do casamento e outros não? Eu não afirmo saber responder na totalidade a esta pergunta, mas posso garantir que não há um ser humano no mundo que não tenha uma certa tentação para o pecado:  uns sentem ganância, outros luxúria, uns vontade de abusar do álcool e da droga, enquanto outros sentem raiva e se irritam facilmente, e ainda há outros que sentem compulsão em mentir. Todos estes comportamentos e outros são condenados na Bíblia (por exemplo 1 Cor 6:9-10). Agora é preciso compreender que nenhum destes comportamentos nos afasta do Reino de Deus definitivamente, pois nenhum pecado é tão grande que Jesus não tenha vencido na Cruz e Deus não possa perdoar. No entanto, persistir nestes comportamentos, sem vontade de mudar (arrependimento), sem pedir perdão a Jesus, isso sim nos afastará do Reino de Deus. Qualquer Cristão é também um pecador, a grande diferença entre o Cristão e o não Cristão é que o Cristão admite, pede perdão, é perdoado,  e tenta mudar o rumo, enquanto que o não Cristão não o faz. Portanto devo dizer em honestidade, mas pedindo que não utilize isto como desculpa para pecar, que será bem possível que depois de se submeter a Cristo você, o homossexual que está a ler este artigo, peque “sexualmente”, tal como o heterossexual que o escreve já fez muitas vezes, como costumamos dizer, por pensamentos, palavras, actos e omissões mas se pedir perdão e procurar a rectidão de Deus, será perdoado e crescerá em justiça, tal como o autor deste artigo foi e é continuamente.







terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Reflectir a Homossexualidade - Compreendendo os Homossexuais

Recentemente a Igreja Católica organizou o Sínodo dos Bispos, onde foram discutidas certas matérias como o divórcio e o casamento de pessoas do mesmo sexo. Sabendo que a Igreja não mudou a sua posição em relação a considerar a homossexualidade um pecado, muitas pessoas reagiram negativamente considerando a Igreja é antiquada e até mesmo homofóbica, e esta crítica não é apenas dirigida à Igreja Católica mas também à grande maioria dos Protestantes (especialmente Evangélicos), bem como Ortodoxos (e basicamente qualquer denominação Cristã mais conservadora).  Segundo o exemplo de Deus, que na Bíblia diz:

“"Venham, vamos reflectir juntos", diz o Senhor. "Embora os seus pecados sejam vermelhos como escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; embora sejam rubros como púrpura, como a lã se tornarão.” - Is 1:18 

Proponho a crentes e a não crentes que ao longo deste artigo nos tentemos compreender, e vou começar com uma palavra de compreensão para o leitor homossexual ou crítico da doutrina Cristã nesta matéria, que deve ser também um aviso aos meus irmãos Cristãos:
Em primeiro lugar é preciso compreender que ninguém escolheu ser homossexual, muita gente até daria tudo para não ser, e já houve pessoas que se suicidaram devido à repressão social que sentiam. Se acha que a homossexualidade se escolhe então gostaria de saber quando foi que o leitor escolheu ser heterossexual? Nunca escolheu: simplesmente se sente atraído por pessoas do sexo oposto fisicamente e às vezes até se apaixona por elas. Pois eis que é o mesmo em relação aos homossexuais.
Em segundo lugar, devemos compreender o que os homossexuais devem sentir ao ouvir as palavras, por vezes duras, da Bíblia. Imagine se a Bíblia o proibisse de poder estar com aquela pessoa pela qual você se apaixonou? Para um homossexual a Bíblia parece estar a dizer: “tu és um erro”, e pode ser difícil para este homossexual compreender que pode haver algum amor num texto com esta mensagem. Atenção, digo parece, porque esta não é a mensagem da Bíblia.
Também devemos tocar num ponto importante: hipocrisia. Quantas vezes não ouvimos já falar de pessoas que condenam os homossexuais veemente quando elas próprias andam a abusar sexualmente de crianças? Ou quantos não dedicam a sua vida a pregar passagens que falam de homossexualidade e outras coisas como 1 Cor 6:9-10 mas convenientemente ignoram passagens como Mt 19:21-24, que condenam o luxo e defendem os pobres.
Por último devo dizer que nós Cristãos muitas vezes podemos ser bem duros, e que muitos de nós não espalhámos a mensagem da melhor maneira, como é o exemplo desta imagem:



Escusado será dizer que estes fundamentalistas da Westboro Baptist Church não representam a mensagem de Cristo, mas a verdade é que eles se intitulam Cristãos, e há muitos outros, que embora de maneira menos radical, cometem actos semelhantes. Isto deve fazer com seja pertinente a questão:  será que nós, Cristãos fiéis à Bíblia, não deveríamos perguntar-nos se não temos culpas no cartório? Será que não houve muitas vezes em que em vez de perdoarmos como Jesus fez à mulher adúltera não fomos os primeiros a lançar a primeira pedra (Jo 8:1-11)? Digo mais pessoalmente, será que você que está a ler este artigo não fez já isto?

Peço portanto aos crentes que reflictam nas palavras acima para não caírem no erro de outros e também aos que não estão confortáveis com a proibição que a Bíblia impõe para lerem o próximo artigo com uma mente aberta e tentar ao menos compreender as razões pelas quais os Cristãos consideram a actividade homossexual um pecado.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Cristo e os Cristãos - Como seria um Portugal Cristão?

No artigo anterior, mostrei que o nosso Portugal não é Cristão em credo, ou seja, que a maioria das pessoas não crê nas doutrinas Cristãs. Muita gente pode dizer: mas o que interessa isso, se formos boas pessoas? A questão é que o que acreditamos muda muito quem somos. A ideia de que alguém pode ser um Cristão só em credo, ou seja, apenas acreditar nas doutrinas Cristãs, mas não o reflectir na sua vida, é errada, pois a fé sem obras é morta (Tg 2:26). Se alguém realmente acreditar no seu coração que Jesus é o Senhor (Rm 10:9), que veio ao mundo morrer pelos nosso pecados (1 Cor 15:3), para nos dar a vida eterna (Jo 3:16), que nos comanda para amarmos o próximo como a nós mesmos (Mt 22:39), e que diz que seremos seus amigos se fizermos o que nos manda (Jo 15:14), e que ainda nos diz que Ele é cada um desses mais pequeninos que precisam de ajuda (Mt 25:40). Se em Portugal fosse realmente Cristão, que mudanças esperaríamos na sociedade?
  • Não haveria fome nas ruas porque todos dávamos aos pobres, porque víamos Jesus em todas as caras (Mt 25:31-46)
  •  Não haveria adultérios nem traições (Dt 5:18)
  •   Não haveria mentiras (Dt 5:20)
  • Chegar a um cargo alto seria encarado como uma oportunidade de servir e não de ser servido, e portanto não haveria demagogia e a política seria honesta (Mt 20:27)
  • Trataríamos melhor os animais, porque Deus comandou que tratássemos bem da criação (Pr 12:10)
  • Deixaria de ser motivo de orgulho para um homem ser um “garanhão”, e portanto haveria menos machismo, menos desgostos de amor e menos objectivação das mulheres (Mt 5:28), note-se que luxúria consiste na objectivação de outra pessoa para obter prazer
  •  Não haveria guerras, porque o amor não deseja o mal do próximo (Rm 13:10)
  • Abusos de substâncias destruidoras do corpo humano não seriam usadas e haveria muito menos crime, delinquência e as pessoas seriam mais saudáveis (2 Cor7:1)
  • As pessoas iriam desfrutar do vinho, que é uma dádiva de Deus, de maneira controlada, havendo por exemplo muito menos acidentes (Sl 104:14-15, Ef 5:18)
  • Inveja, malícia, cobiça, luxúria seriam inexistentes (Gl 5:19-21)
  • Não haveria objectificação de pessoas, nomeadamente através de pornografia ou prostituição (1 Cor 6:13)
  • Não haveria racismo (Gl 3:28)
  • Ao contrário do que muitos pensam, as relações seriam mais abertas: como não existia o sentido de ser garanhão, um homem podia dizer a uma mulher abertamente que a amava sem “jogar o jogo da sedução”, que hoje em dia consiste em fazer a mulher pensar que a desprezamos para que ela comece a sentir uma paixão por nós. Desta forma, os casamentos seriam mais cedo e sempre em amor. (Ef 5:25)
  • Para além de haver menos gente na prisão, os que lá estavam iam ser ajudados e reabilitados porque neles vemos Jesus. (Mt 25:36)
  • Ninguém iria deixar os seus pais sozinhos a morrer na velhice, porque honraríamos pai e mãe até morrer. (Dt 5:16)
  • Embora possa haver muito sofrimento também na caminhada do Cristão, seríamos mais felizes , porque Deus promete grande alegria para os que o seguem (1 Pedro 1:8)
  • Havia mais verdade, porque a partir do momento que um homem reconhece ser pecador perante Deus e irmão, ele tem mais capacidade em admitir as suas faltas em público e menos necessidade de mentir (Lc 18:13-14)
  • Haveria sempre lugar ao perdão, pois um Cristão sabe que o perdão é a base de tudo, porque sem o perdão de Cristo nada era (Lc 17:3-4)


Repare que em muitos sectores da sociedade os problemas seriam resolvidos:
  • Educação (haveria respeito por professores, obediência e também profissionalismo por parte dos professores, para além disso o estudo científico é um acto de adoração)
  • Justiça (seria muito mais eficaz, porque Deus comanda para julgar com justiça)
  • Pobreza (seria quase inexistente)
  • Corrupção (seria impossível pois Deus comanda para sermos justos, verdadeiros, honestos e amarmos o próximo)

É preciso compreender que o Reino dos Céus não é deste mundo (Jo 18:36) e portanto a maneira de chegar a esta realidade não é mudando o exterior e o poder do estado, mas o coração de cada um de nós (Lc 17:21), portanto quem estiver a pensar em utopias de um “Estado Cristão” que se lembre disto. Mas temos de nos lembrar também que o grande objectivo do Cristão não é simplesmente Evangelizar para mudar a maneira como o mundo funciona, mas sim mudar o interior de cada um (Salvação), e através disso verá o mundo mudado (como efeito secundário).
E isto relaciona-se com talvez a maior mudança na sociedade: mesmo que todos fossemos Cristãos, seríamos ainda pecadores (1 Jo 1:8), e iríamos violar os princípios acima várias vezes ao longo da nossa vida, no entanto para além de o fazermos muito menos vezes que no nosso anterior estado não Cristão, sempre que os violássemos teríamos a humildade de pedir perdão a Deus e ao nosso irmão, e depois de reparar o dano feito. Se pretende também uma sociedade melhor como a descrita a cima, um aperitivo do Céu, junte-se a Jesus e a mim por este projecto. Mas lembre-se, a santidade e o por de lado o nosso ser corrompido só é possível com a ajuda do Espírito Santo (1 Cor 12:13), e para isso é preciso arrependimento e perdão dos pecados, que Jesus nos proporciona pela sua morte e Ressurreição. Portanto antes de mudar o mundo, mude-se a si mesmo!