segunda-feira, 28 de setembro de 2015

6 de Setembro - Deus é Fiel

Somos hoje convidados a relembrar o tema da fieldade de Deus e a razão pela qual ele é importante é a seguinte: na nossa vida como Cristãos muitas vezes somos aconselhados pelo Senhor a fazer escolhas difíceis, escolhas essas que envolvem grande sacrifício e até mesmo podemos ser excluídos da sociedade ou até morrer. Mas como Deus é fiel, podemos fazer estas escolhas difíceis com a certeza de que valem a pena, de que Deus cumpre o que promete, e claro que elas são também em benefício dos que nos rodeiam.

Primeira Leitura - Is 35:4-7

Vemos aqui como é anunciada a vinda de Deus à Terra e todas as coisas boas que daí advêm. A chegada do Filho de Deus pode ser vista como o princípio da vinda do Reino de Deus, acompanhada de muitos sinais que foram anunciados no Antigo Testamento e que o Messias havia de cumprir.
Reparemos também que termos como "surdos" e "cegos" não se referem apenas a pessoas fisicamente deficientes, mas também são metáforas para a nossa condição como homens caídos sem Deus.

Salmo - Sl 146

Aqui vemos explicitamente anunciada a fieldade de Deus: Deus cumpre as suas promessas e cuida daqueles que mais precisam. Embora todos precisemos de Deus, apenas alguns escolhem colocar-se perante Deus em humildade e o admitir, a estes Deus ergue com toda a sua omnipotência.



Segunda Leitura - Tg 2:1-5

Depois de lermos as passagens acima poderíamos pensar que Deus só é bom com algumas pessoas ou que só deseja mostrar a sua Glória a alguns, mas Tiago diz-nos que na nossa Fé não deve haver parcialidade, e pois que com Deus também é assim (Rm 2:11). Infelizmente muitos se deixaram corromper pelo poder e pela fama nas posições que ocupam e utilizam a Igreja para mostrar as suas vestes e que são "pessoas de bem". A Igreja não foi feita para os Santos mas para os pecadores, e não foram os ricos que Deus chamou, mas os pobres, aqueles que em humildade entregaram a Deus o seu coração.
 Mais uma vez se fala nas promessas de Deus, para aqueles que O amam, e que Ele, sendo fiel, não deixará por cumprir. A mais importante destas promessas é talvez a da vida eterna. Mas quem são os que amam a Deus? São os Seus amigos, que fazem aquilo que Ele lhes manda (Jo 15:14). E o que é que Deus manda? Quem são os que fazem a Sua obra? São aqueles que acreditam em Jesus e confiam n'Ele (Jo 6:29). E é essa a promessa de Deus (I Jo 2:25). Estes ensinamentos estão condensados no verso "Porque a vontade de meu Pai é que todo aquele que olhar para o Filho e nele crer tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia"  (Jo 6:40).

Evangelho - Mc 7:31-37

No Evangelho Jesus faz um surdo ouvir. Aqui Jesus demonstra várias coisas: cumpre a profecia de Isaías do Antigo Testamento e tem autoridade sobre o Mundo para que pela Sua Palavra milagres possam acontecer. Jesus aqui mostra que é realmente o Messias, e que a sua vinda é o início da vinda do Reino dos Céus, através da qual não só todo o pecador que n'Ele confiar poderá receber a vida Eterna graças ao Seu trabalho na Cruz, mas também toda a Criação poderá ser renovada e salva, incluíndo o fim das doenças não só da alma mas também do corpo. Não devemos olhar para a Salvação como sendo apenas um processo individual que consiste numa bilhete para sair de fora do Inferno e ir para o Céu, mas como um processo que engloba toda a Criação. Termino com uma citação de N.T. Wright:

“Então em vez de sugerir que escapássemos da Terra para ir para o Céu, a Boa Nova de Jesus era sobre o Céu vir para a Terra.”                                 
N.T Wright, Simply Good News (2015) 
 





sexta-feira, 4 de setembro de 2015

30 de Agosto - A Lei

Primeira Leitura - Dt 4:1-2, 6-8

Os Israelitas já foram libertados da terra do Egipto e do domínio do Faraó e estão agora livres da escravatura. Moisés é quem os lidera, e o Senhor já enviou a Sua lei para o povo. Mas para que serve esta Lei? Vemos que em primeiro lugar Deus revela as leis ao povo de Israel para o proveito desse mesmo povo, para que vivam, pois ao cumprirmos as Leis de Deus e ao caminharmos na sua justiça, os nossos corações vão sendo cada vez mais de carne e menos de pedra, e vamos sendo mais fortes perante o pecado, idealmente atingindo a libertação total do pecado, que é a verdadeira liberdade.
Mas Deus sabia o que estava a fazer quando escreveu as Suas leis, e não nos cabe a nós criarmos tradições externas à lei, que vão colocar fardos nas costas dos nossos irmãos (Jesus vai abordar isto no Evangelho).
Embora muitas vezes consideradas como demasiado ríspidas, as leis do antigo testamento eram bastante avançadas para o seu tempo! Por exemplo, as leis sanitárias da Bíblia focavam-se em prevenir certas doenças, enquanto que a maioria das culturas possuía preceitos (muitas vezes errados) para as “curar”. Também certos grupos tinham mais direitos segundo a Lei Mosaica do que nas leis dos países vizinhos, como por exemplo os “escravos”, que possuíam um dia de descanso e protecção contra possíveis abusos do seu mestre (note-se que o termo escravatura como o compreendemos hoje não é o mais correcto para descrever o que acontecia no Antigo Testamento).
Assim, Deus também quis usar estas Leis para glorificar o seu nome, sendo que a glória de Deus é manifestada na satisfação e bem-estar do seu povo, talvez podendo assim também chamar ao arrependimento os corações de membros de outros povos.


Salmo - Sl 15 

Sabemos que Deus é perfeito e Santo, e nós não somos. Mas nós gostaríamos de estar na presença de Deus, mas como? Perguntamos com o salmista “Senhor, quem morará em vossa casa? E no vosso monte santo habitará?”. Rapidamente vemos que a resposta faz todo o sentido mas não é talvez a mais confortável de ouvir, resumidamente “é aquele que caminha sem pecado”. Mas todos nós somos pecadores! Quer dizer que nenhum de nós poderá estar na presença do Senhor? Na verdade isso é-nos impossível, mas para Deus tudo é possível (Mateus 19:26). Por isso é que Deus desceu dos Céus e se tornou num servo para que nós pudéssemos ficar sem pecado, e assim na sua presença.

Segunda Leitura - Tg1:17-18,21-22, 27

Tiago vem-nos lembrar que Deus escolheu amar-nos e nós somos somos o povo que irá pregar o seu Evangelho a todas as criaturas, sendo assim os primeiros frutos. Mas temos o dever de aceitar a Palavra de Deus no nosso coração, pois é através da Sua Palavra e do Seu Espírito que Deus abre os nosso corações e nos converte. Devemos é evitar aquele pecado que Jesus tanto odiava: a hipocrisia, e lembrar-mo-nos que as Leis de Deus não são instruções vazias e pietistas, mas que o que Ele pretende com elas é que nós sejamos bons uns para os outros. Somos salvos pela Fé e pela sua graça, e embora o cumprimento das Leis não seja meritório da nossa salvação, este é certamente central na vida de qualquer Cristão, não só como uma demonstração da verdadeira Fé mas também como um processo que converte o nosso coração.


No Evangelho vemos como Jesus condena o legalismo e hipocrisia dos fariseus: criando as suas tradições, eles sobrecarregam as pessoas com pietismos exagerados, dando-lhes fardos pesados e talvez até as afastando do Reino dos Céus. Devido às leis dietárias do Antigo Testamento (que foram feitas para aquele tempo específico e não são o ideal de Deus, bem como outras leis do Antigo Testamento) os fariseus pensavam que um homem se tornava impuro por aquilo que comia e bebia, ignorando o que realmente faz um homem impuro, como Jesus lhes lembra, que é aquilo que sai de dentro do seu coração. Eles violaram a Lei de Moisés, adicionando à Lei de Deus. Jesus não quer os nosso rituais, as nossas orações repetitivas sem significado, as nossas longas vestes, os nossos templos ou as nossas esculturas, Ele só quer uma coisa: o nosso coração. Se ainda não deu o seu coração a Jesus, porque não o faz hoje? Lembre-se que Ele já lhe deu o d'Ele!

terça-feira, 25 de agosto de 2015

23 de Agosto - Chamados ao Compromisso

O tema desta semana é o compromisso: Deus não deseja Cristãos “nominais”, ou seja, que apenas se auto-intitulam Cristãos mas não o seguem, nem deseja um acordo só de palavras mas sem acções. Deus quer um verdadeiro compromisso, mas que tal seja possível, dá também ao Homem a liberdade de o assumir ou não.

Primeira Leitura - Js 24:1-2; 17:15-18

Começamos com uma leitura do livro de Josué, o sucessor de Moisés, já depois do Senhor ter libertado os Filhos de Israel do domínio do Faraó. Após Josué apresentar ao povo de Israel a escolha que Deus lhes oferece (tal como em outros locais da Bíblia como Dt 30:15), o povo apresenta a libertação da escravatura como sendo a razão porque escolhem o Senhor, no entanto rapidamente se apercebemos que muitos deles foram como aquele filho que disse ao seu pai que ia trabalhar para a sua vinha, mas não foi (Mt 21:28-32). É verdade que a libertação da escravidão foi um grande trabalho de Deus, e que foram realizados grandes milagres, mas Jesus liberta-nos da escravidão espiritual e de Satanás, algo muito mais severo que a escravidão do Faraó. Podemos viver como escravos no Egipto toda a nossa vida, mas livres do pecado espera-nos Deus e a vida eterna, mas se vivermos livres do Faraó e sem Deus mas apenas com os nossos pecados, então o que nos espera é precisamente isso: uma eternidade sem Deus e a sós com os nossos pecados, e a consciência de quão eles foram graves perante o Juiz do Mundo. Muitas vezes damos mais valor a coisas terrenas, mas lembre-mo-nos das palavras de Jesus: “Pois qual é mais fácil? dizer: Perdoados são os teus pecados, ou dizer: Levanta-te e anda?”. Que hoje sejamos como Josué e escolhamos servir o Senhor, e que saibamos que a Salvação de Jesus ainda foi maior que a de Moisés.

Salmo -  Sl 34

No Salmo podemos observar que o Senhor é fiel aqueles que em si procuram refúgio (v. 22), e portanto podemos estar sempre seguros nele, por muito grandes que sejam os nosso pecados (Is 1:18). Mais uma vez vemos que aquele que escolhe não estar em comunhão com Deus (o que só é possível com um compromisso), esse terá de lidar com os seus próprios pecados.

Segunda Leitura - Ef 5:21-32

Sendo que já dediquei dois artigos ao feminismo (que pode ler aqui e aqui), gostaria de apenas brevemente referir que este texto não deve ser considerado misógino: Deus apenas idealiza que exista na família um líder, e escolheu que deve ser o homem. No entanto esta liderança não é opressiva para a mulher e não faz o homem superior à mulher, dá sim ao homem mais responsabilidade. É muito interessante também ver como o apóstolo compara o compromisso do aliança que é o casamento com o compromisso da aliança que é a fé, e tal pode ser sumariado no lema da aliança: “eu sou teu e tu és meu”. Pode ler mais sobre as alianças de Deus e a sua relação com o casamento aqui.

Evangelho - Jo 6:60-69

É preciso compreender a razão pela qual os judeus se escandalizavam com Jesus: de acordo com a lei de Moisés (que é também a palavra de Deus), os judeus não podem beber sangue (Lv 17:10-11), mas Jesus diz-lhes que eles têm de beber o seu sangue e comer a sua carne para terem a vida eterna. Podemos entender o beber o sangue de Jesus como uma metáfora para uma comunhão forte com Ele, no entanto os patriarcas da Igreja também afirmavam que no pão e no vinho o Senhor estava realmente presente, e que ali tínhamos a sua carne e o seu sangue (pode encontrar algumas dessas citações neste link), no entanto é verdade que noutras ocasiões estes também recorriam à interpretação metafórica em certas passagens. Penso que o que devemos aprender é que o compromisso com Jesus é realmente importante, e que a Seia do Senhor foi uma das maneiras que Jesus escolheu para estarmos em maior comunhão com Ele, não a podendo menosprezar qualquer que seja a nossa Teologia.
Vemos que Jesus também faz uma observação que pode deixar os mais atentos um pouco perplexos: “É por isso que vos disse: ninguém pode vir a mim, a não ser que lhe seja concedido pelo Pai”, o que poderia significar que Deus não tinha concedido àqueles judeus se converterem por razões exteriores a si mesmos. Alguns Cristãos tomaram esta posição ou semelhantes, sendo o exemplo mais notável Calvino. Não tomando eu essa posição, gostaria de lembrar a todos que sem a graça de Deus é impossível ao homem chegar a Ele. A questão é: porque é que a estes judeus não foi permitido pelo Pai chegarem ao Filho? Penso que foi precisamente porque estes tinham dado ao Pai um compromisso de palavras mas que o seu coração estava longe (Mt 15:8), eles tinham escolhido endurecer o seu coração e resistir ao Espírito (Is 65:2; Act 7:51).
Talvez para nós beber o sangue de Jesus não seja duro de ouvir, mas e quando Jesus trouxer palavras duras um dia para nós? Quando nos alertar dos nosso pecados, quando nos pedir para o afirmarmos frente a multidões hostis, ou talvez quando denunciar a nossa imoralidade sexual ou ganância? Lembre-mo-nos que um pai disciplina aqueles que ama (Pr3:12). E se muitos forem embora e Jesus perguntar: “Vós também vos quereis ir embora?”, que nós não nos fiquemos por responder “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna.", pois Jesus não é de louvar apenas porque não há outro, Ele é de louvar porque não poderia haver outro melhor, pois é impossível ser mais Santo que o Santo de Deus.








segunda-feira, 17 de agosto de 2015

16 de Agosto - Uma mulher vestida de Sol

Quero aproveitar esta semana para tocar num assunto sensível a Católicos e Protestantes: a devoção Mariana. Muitos dos Cristãos Portugueses são Católicos, e muitos também crêem no milagre de Fátima, sendo imensamente devotos à virgem Maria. A Igreja Católica celebra esta semana a Ascenção da Virgem Maria aos Céus, algo que todos os Católicos são obrigados a acreditar por ter sido um dogma proclamado "ex cathedra" pelo Papa Pio XII em 1950, que pode encontrar aqui. Vou tentar responder às seguintes perguntas: 

  • Será que Santos "pisa o risco" da idolatria?
  • Fará sentido a nossa salvação depender da crença num dogma como a Assunção?
Consideremos as leituras:



Aqui lemos como uma mulher dá à luz um Filho, que vence o demónio. O livro do Apocalipse é sempre difícil de interpretar, mas parece claro que este Filho é Cristo. No entanto a pergunta permanece: quem é a mulher? Católicos dizem que é a Virgem Maria, a Mãe de Jesus, no entanto Protestantes afiram que a mulher é a Igreja. A realidade é que ambas as interpretações fazem sentido: realmente Maria deu à luz Jesus, a Palavra de Deus, tal como a Arca da Aliança antiga continha as palavras de Deus inscritas nas tábuas da Lei (Ex 16:25). O mesmo acontece no salmo, onde a Rainha pode ser Maria ou a Igreja (a esposa do Rei). Mas também é verdade que a Igreja foi perseguida por Satanás e Deus lhe preparou um lugar. Não tentarei resolver esta disputa aqui, pois isso exigiria uma série de artigos dedicados apenas a esta passagem! Mas talvez o leitor tenha hoje conhecido uma interpretação diferente da que está acostumado. 

Aqui lemos uma das mais belas passagens da Bíblia, uma que também merece uma análise maior do que a que aqui vou expor, sendo que a promessa de Salvação é especialmente optimista ao lermos o apóstolo escrever "Pois, da mesma forma que em Adão todos morrem, em Cristo todos serão vivificados", embora Jesus tenha avisado várias vezes que alguns, infelizmente, se perderão (Lc 13:23-24). No entanto esta passagem de Coríntios mostra que podemos enfrentar o futuro com esperança, que a morte será vencida, e que a morte em Adão não é mais forte que a vida em Cristo. Esta passagem mostra que Jesus é tão bondoso e poderoso que a única coisa que nos pode separar do Reino dos Céus é a nossa escolha de o rejeitarmos. 


No Evangelho lemos o célebre anuncio do anjo a Maria, que é descrita como "bendita" e "mãe do meu Senhor". Vemos também a humildade de Maria, que reconhece que é graças a Deus que ela pode receber os louvores que ainda hoje recebe. Maria recorda um tema recorrente na Bíblia: a maneira como Deus não se esquece das suas promessas, e Jesus é precisamente o culminar de todas estas promessas.

É claro que Maria não é um ser humano qualquer, ela era realmente uma serva fiel de Deus, bendita e bem-aventurada, era o que costumamos chamar, uma Santa. Devemos certamente honrar a Mãe do Nosso Senhor, mas não existirão certos exageros por este mundo fora? Lembre-mo-nos de que quem salva é Jesus, e não os santos. É a Ele que devemos a nossa devoção. Infelizmente vemos muitas vezes pessoas adorarem os Santos como quem adora a Deus, e sabemos que Deus não permite isto, sendo o pecado conhecido como idolatria (Lv 19:14), e até mesmo o escritor do Apocalipse caiu no erro de adorar a um que não Deus (Ap 19:9-10). A Igreja Católica introduz uma diferença útil nesta discussão: enquanto nós adoramos a Deus (latria), nós apenas honramos (dulia) os santos. Santo Agostinho escreveu o seguinte:

Ninguém no altar da sepultura dos Santos diz: "Trazemos para ti uma oferta Ó Pedro!", "Ó Paulo" ou "Ó Cipriano!". A oferta é feita apenas a Deus, que deu a coroa do martírio, enquanto que é em memória daqueles assim coroados. A emoção aumenta pelas associações de lugar, e o amor é excitado sobre os que são os nossos [bons] exemplos, bem como Aquele cuja ajuda nos permite servir tais exemplos. Nós encaramos os mártires como a mesma afecção intima que sentimos em relação a homens santos de Deus nesta vida, quando sabemos que os seus corações estão preparados para passar o mesmo sofrimento pela verdade do evangelho. Há mais devoção no nosso sentir para com os mártires, pois sabemos que o seu conflito terminou; e podemos falar com maior confiança em louvor àqueles já vitoriosos no Céu que daqueles que ainda aqui combatem. O que é propriamente adoração divina, que os Gregos chamam de latria, e para a qual não há palavra em latim, tanto em doutrina como em prática, nós apenas oferecemos a Deus. A esta adoração pertence a oferta de sacrifícios; como vemos na palavra idolatria [ido de ídolo e latria de adoração], que significa oferecer esta adoração aos ídolos. Desta forma não oferecemos, nem requeremos que ninguém ofereça, sacrifícios a um mártir, ou a uma alma santa, ou a algum anjo. 
 Contra Fausto, Livro XX, secção 21; NPFF 1, Vol. IV


E sendo este o Domingo da celebração da Assunção da Virgem Maria, independente de acreditar ou não, parece-me um exagero que alguma denominação Cristã excomungue um fiel seu por duvidar de algo que apenas foi definido quase 1900 anos depois de alegadamente ter acontecido. É claro que aqui estão outros dogmas subjacentes, como a Infalibilidade do Papa, que no entanto também considero errado, e ainda mais exagerado por todo aquele que não nele crer ser excomungado de acordo com o Concílio Vaticano I, mas não quero fazer deste artigo uma crítica à doutrina Católica da infalibilidade do Magistério e das suas pesadas penas. Em suma é isto que quero transmitir:

  • Maria foi uma grande serva de Deus e devemos honrá-la.
  • Se você é um protestante fiel a Deus e a nossa Senhor Jesus Cristo e embora valorize os santos, não presta veneração, certamente que isso não o afastará do reino dos Céus.
  • Se você é Católico, lembre-se das distinções que a própria Igreja Católica faz, bem como as do seu mais influente teólogo e Doutor da Igreja, Santo Agostinho, e não se deixe cair em idolatria, lembrando-se que Jesus é que salva e que aos santos devemos honrar mas não adorar.
  • Examine também a rígida doutrina da infalibilidade Papal e das penas de excomunhão por não acreditar em certos dogmas que não se relacionam directamente com a Salvação. Você acha que um irmão protestante fiel a Jesus deixa de ser um Cristão e é expulso da Igreja Universal por não crer na Assunção ou na infalibilidade do Papa?
  • Investigue as escrituras e o que disseram os patriarcas da Igreja para saber mais sobre este assunto complexo da veneração dos santos.
Em Cristo

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

9 de Agosto - Jesus, o Pão dos Céus

Nesta semana Deus chama a nossa atenção dois grandes temas: a necessidade que o Homem tem de Deus e a grande bondade de Deus para satisfazer a fome do Homem através do pão da vida. As leituras mostram precisamente como Deus foi enviando ao homem o pão da vida ao longo dos séculos, culminando em Jesus Cristo, o Pão da Vida.


Estamos no século IX a.C. e o Reino de Israel está dividido em dois. Elias, o profeta, encontra-se na parte Norte, onde alguma paz foi conseguida pelo rei Acab, no entanto por um preço demasiado elevado: este permite à sua mulher Jezabel prestar culto ao deus cananita Baal (ao qual se sacrificavam crianças) no seu próprio palácio. Após confrontar Acab, o homem de Deus vê-se sozinho e desesperado nesta luta pela rectidão. Mas Deus, sendo fiel, não o abandona, e tal como fez aos filhos de Israel no deserto (Ex 16:4-5) dá a Elias um pão vindo dos Céus.
O salmo pode ser entendido como um agradecimento a Deus por esta atitude fiel: quando Deus nos chama e as circunstâncias se complicam, Deus não nos vai abandonar.



Mesmo na prisão, Paulo não mostra um pingo de amargura nesta epístola em que o tema da união é recorrente. Quer lhe chamemos Eucaristia, Ceia do Senhor ou Comunhão, um dos grandes objectivos da toma do pão e do vinho que caracterizam os Cristãos é a união com Cristo e com os outros irmãos. Podemos dizer que na nossa conversão e baptismo se unimos com Deus, ao receber o Espírito Santo, que nos guia para sermos como Deus (e por consequência como Jesus). O Espírito Santo permite-nos seguir as leis de Deus, tal como havia sido prometido (Ez 11:19). O apóstolo exorta-nos a entrar em verdadeira comunhão com Deus, sendo imitadores de Cristo. Ao descrever como devemos ser para imitar Cristo, Paulo acaba por descrever Cristo, e faz-nos lembrar de um dos factos centrais da Bíblia: estando condenados perante Deus, graças a Cristo nós estamos perdoados, graças ao sacrifício que este fez a Deus no nosso lugar.


Jesus é nesta passagem controverso, como costuma ser em muitas outras. Jesus apresenta-se como o pão vivo que desceu dos Céus. Ao ouvir os fariseus murmurarem contra Ele, o Mestre explica como é impossível nos tornarmos Filhos de Deus sem que Deus primeiro nos atraia para si (isto é chamado por alguns teólogos como graça preveniente). O homem, afastado de Deus pelo pecado, não é capaz de sozinho encontrar Deus. Os fariseus afirmavam-se como seguidores de Deus mas não de Jesus, e Jesus mostra que tal não é possível, sendo que todo aquele que segue o chamamento do Pai e o escuta vai precisamente encontrar Jesus, Aquele que conhece o Pai e o pode revelar, de modo a que aquele que crê obtenha a vida eterna. Assim, Cristo realça a necessidade do Homem por Deus, a bondade de Deus em se fazer disponível e finalmente a importância do próprio Cristo como mediador para que seja possível Deus e o Homem se encontrarem.
Tal como muitas vezes acontece na Bíblia, Deus toma acções no Antigo Testamento que se irão realmente completar e revelar no Novo (Jesus vem cumprir a Lei de Deus Mt 5:17). Este é mais um exemplo: Deus enviou o pão dos Céus anteriormente para resolver problemas temporários como a fome do seu povo no deserto ou a fraqueza de Elias, mas desta vezes Deus vem resolver o problema eterno do Homem: a sua separação de Deus. Isto é feito através de um sacrifício, e tal como nos tempos de Moisés no Egipto (Ex 12), o povo de Deus entra em comunhão com o sacrifício (que aqui é Jesus, o cordeiro de Deus) numa refeição, que hoje é a Ceia do Senhor.

É perfeitamente lógico que Jesus interligue a comunhão consigo com a vida Eterna: o Homem está separado de Deus, e sendo que a vida eterna consiste em conhecer Deus (Jo 17:3), sendo Jesus o único mediador entre Deus e os Homens (I Tim 2:5), sem Jesus ficamos separados de Deus, não tendo portanto a vida eterna, o que a Bíblica sumariza com a condição “inferno”.